Voltar aos artigos
Comparação de sistemas de aquecimento doméstico, com caldeira a gás, radiador e bomba de calor, acompanhados por uma calculadora e um gráfico de custos energéticos.

Quanto custa aquecer uma casa em 2026? Vamos fazer as contas!

Publicado em 19 de outubro de 2026Atualizado em 19 de outubro de 2026por Catarina Costa

  • Armazenamento
  • Autoconsumo
  • Climatização
  • Eficiência Energética
Neste artigo

Com o gás natural e a eletricidade mais caros, e os preços dos combustíveis sujeitos a constantes oscilações, aquecer a casa continua a ser uma preocupação para muitas famílias portuguesas. Mas e se pudesse reduzir a dependência destes custos e aproveitar a energia do sol para aquecer a sua habitação?

Quando pensamos nas despesas de uma casa, identificamos facilmente a prestação do crédito, a alimentação ou as faturas mensais de eletricidade e água.

O aquecimento, porém, tem uma particularidade: durante vários meses pode representar uma despesa reduzida, mas quando chegam as temperaturas mais baixas, o consumo de energia pode aumentar consideravelmente.

Quem tem aquecimento central a gás natural acompanha a evolução das tarifas. Quem utiliza uma caldeira a gasóleo preocupa-se com o preço do próximo abastecimento. E quem depende da eletricidade para aquecer a casa também sente o impacto das alterações no preço da energia.

Apesar de utilizarem fontes de energia diferentes, todas estas situações levantam a mesma questão: quanto custa realmente manter a casa confortável?

A boa notícia é que existem alternativas capazes de transformar a forma como produzimos e utilizamos energia para aquecimento.

E algumas podem até aproveitar a eletricidade produzida no telhado da própria habitação.

Mas será que compensa substituir o sistema de aquecimento que tem atualmente? Vamos fazer as contas!

Gás e eletricidade aumentaram em outubro de 2026. O que muda para as famílias?

O mês de outubro trouxe novas atualizações aos preços da energia em Portugal.

Segundo a Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), a partir de 1 de outubro de 2026:

  • O gás natural aumentou 6,4% no mercado regulado.
  • A eletricidade registou um aumento de aproximadamente 2,7% na fatura média mensal da maioria dos consumidores domésticos do mercado regulado.

Estes valores dizem respeito ao mercado regulado. No mercado liberalizado, os preços dependem das condições de cada comercializador e do contrato celebrado pelo cliente.

Quanto representam estes aumentos na fatura?

A ERSE apresentou exemplos para diferentes perfis de consumo doméstico.

Energia Perfil de consumo Fatura média mensal após atualização Aumento mensal
Gás natural Casal sem filhos, 1 610 kWh/ano 17,38 € +0,91 €
Gás natural Casal com dois filhos, 3 407 kWh/ano 32,53 € +1,62 €
Eletricidade Casal sem filhos, 1 900 kWh/ano e 3,45 kVA 37,77 € +0,95 €
Eletricidade Casal com dois filhos, 5 000 kWh/ano e 6,9 kVA 97,73 € +2,70 €

Fonte: ERSE, comunicados de junho e setembro de 2026. Valores para Portugal continental, com taxas e impostos incluídos, nos termos dos respetivos comunicados.

À primeira vista, os aumentos podem parecer reduzidos. E, para os perfis apresentados, são.

Mas existe um detalhe importante: estes exemplos não representam necessariamente uma moradia que utiliza gás ou eletricidade para aquecer os espaços durante todo o inverno.

Uma habitação com necessidades elevadas de aquecimento pode consumir consideravelmente mais energia do que os perfis utilizados nestas referências.

No caso da eletricidade, a ERSE atualizou a componente de energia em 0,005 €/kWh.

Isto significa que, para uma habitação que consuma 5 000 kWh de eletricidade por ano exclusivamente para aquecimento, o impacto direto dessa atualização seria de aproximadamente 25 € anuais, antes de impostos.

O aumento isolado não é necessariamente elevado. Mas reforça uma questão mais importante: quanto mais energia for necessária para aquecer a casa, maior será o peso do aquecimento no orçamento familiar.

E quem utiliza gasóleo enfrenta ainda outro desafio.

Ao contrário do gás natural fornecido pela rede, o gasóleo de aquecimento exige normalmente armazenamento e abastecimentos periódicos. O preço depende do fornecedor, das condições comerciais e da evolução dos mercados petrolíferos.

O custo do próximo abastecimento pode, por isso, ser diferente do anterior.

Perante este cenário, vale a pena olhar para além das atualizações das tarifas e perguntar:

Será possível manter o mesmo conforto, consumindo menos energia e reduzindo os custos de funcionamento?

Quanto custa aquecer uma moradia a gás, gasóleo ou eletricidade? Vamos fazer as contas.

Imagine uma moradia que necessita de 10 000 kWh de calor útil por ano para manter os espaços aquecidos.

O calor útil é a energia térmica efetivamente fornecida à habitação, depois de consideradas as perdas de conversão do equipamento.

Para comparar diferentes soluções, vamos considerar a mesma necessidade de aquecimento e preços de energia definidos para esta simulação.

Primeiro cenário: caldeira a gás natural

Uma caldeira com rendimento sazonal de 90% necessita de consumir aproximadamente 11 111 kWh de gás natural para fornecer 10 000 kWh de calor útil.

Considerando um preço de 0,10 €/kWh:

11 111 kWh × 0,10 € = aproximadamente 1 111 € por ano.

Segundo cenário: caldeira a gasóleo

Uma caldeira a gasóleo com rendimento sazonal de 85% necessita de aproximadamente 1 176 litros de combustível para fornecer a mesma quantidade de calor, considerando um poder calorífico de 10 kWh por litro.

Com um preço de 1,30 €/litro:

1 176 litros × 1,30 € = aproximadamente 1 529 € por ano.

E se o preço do combustível variar?

Preço do gasóleo considerado Custo anual de aquecimento
1,10 €/litro 1 294 €
1,30 €/litro 1 529 €
1,50 €/litro 1 765 €

Neste exemplo, uma diferença de apenas 0,20 € por litro representa aproximadamente 235 € adicionais por ano.

Terceiro cenário: aquecimento elétrico convencional

Uma solução de aquecimento por resistência elétrica transforma praticamente toda a eletricidade consumida em calor.

Assim, para fornecer 10 000 kWh de calor útil, necessita de consumir aproximadamente 10 000 kWh de eletricidade.

Considerando um preço de 0,18 €/kWh:

10 000 kWh × 0,18 € = aproximadamente 1 800 € por ano.

Este cenário permite perceber uma diferença importante: utilizar eletricidade para aquecer uma casa não significa que todos os sistemas elétricos tenham a mesma eficiência.

Existem tecnologias capazes de fornecer a mesma quantidade de calor com muito menos eletricidade.

É aqui que entram as bombas de calor.

Bomba de calor: como produzir mais calor com menos energia?

Uma bomba de calor funciona de forma diferente de uma caldeira tradicional ou de um sistema de aquecimento elétrico por resistência.

Em vez de depender da combustão ou de transformar diretamente eletricidade em calor, utiliza energia elétrica para transferir energia térmica do ambiente exterior para o interior da habitação.

É este princípio que lhe permite alcançar níveis elevados de eficiência.

Segundo a Comissão Europeia, as bombas de calor modernas podem ser três a cinco vezes mais eficientes do que as caldeiras tradicionais a gás, dependendo das condições de funcionamento.

Por exemplo, uma bomba de calor com um desempenho sazonal (SCOP) de 3 consegue fornecer, em média, três kWh de calor por cada kWh de eletricidade consumida ao longo do período considerado.

Quanto custaria aquecer a mesma moradia com uma bomba de calor?

Regressemos ao exemplo dos 10 000 kWh de calor útil necessários por ano.

Com uma bomba de calor de SCOP 3, seriam necessários aproximadamente 3 333 kWh de eletricidade.

Considerando um preço de 0,18 €/kWh:

3 333 kWh × 0,18 € = aproximadamente 600 € por ano.

Comparemos os quatro cenários:

Sistema de aquecimento Custo variável anual
Aquecimento elétrico por resistência 1 800 €
Caldeira a gasóleo 1 529 €
Caldeira a gás natural 1 111 €
Bomba de calor 600 €

Para a mesma necessidade de calor, a diferença é significativa.

Neste exemplo, a bomba de calor apresenta um custo variável de energia aproximadamente:

  • 511 € inferior por ano ao da caldeira a gás natural.
  • 929 € inferior por ano ao da caldeira a gasóleo.
  • 1 200 € inferior por ano ao de uma solução elétrica por resistência.

Isto demonstra porque é que, mesmo quando a eletricidade aumenta de preço, uma bomba de calor eficiente pode continuar a apresentar custos de funcionamento inferiores aos de outras soluções.

O fator decisivo não é apenas o preço do kWh de energia. É a quantidade de calor útil que o equipamento consegue fornecer com essa energia.

E existe uma forma de aproveitar ainda melhor essa eficiência: combinar a bomba de calor com energia solar fotovoltaica.

Bomba de calor + painéis solares: quando a sua casa produz parte da energia que consome

Uma bomba de calor permite aquecer a casa com elevada eficiência.

Um sistema solar fotovoltaico permite produzir eletricidade na própria habitação.

Quando estas tecnologias trabalham em conjunto, é possível utilizar parte da energia produzida pelos painéis solares para alimentar o aquecimento.

Durante o dia, a eletricidade gerada pelos painéis pode alimentar os consumos domésticos, incluindo o funcionamento da bomba de calor.

Sempre que existe produção solar disponível e consumo simultâneo, uma parte da eletricidade necessária deixa de precisar de ser comprada à rede.

Mas quanto pode representar esta combinação?

Vamos voltar às contas.

No nosso exemplo, a bomba de calor necessita de aproximadamente 3 333 kWh de eletricidade por ano para aquecimento.

Imagine que um sistema fotovoltaico, devidamente dimensionado e com um perfil de utilização favorável, consegue fornecer 30% desse consumo através de autoconsumo solar.

Nesse cenário, a habitação necessitaria de comprar aproximadamente 2 333 kWh de eletricidade à rede para aquecimento.

Mantendo o preço de 0,18 €/kWh:

2 333 kWh × 0,18 € = aproximadamente 420 € por ano.

Quanto custa aquecer a mesma moradia com cinco soluções diferentes?

Solução de aquecimento Custo variável anual estimado
Aquecimento elétrico por resistência 1 800 €
Caldeira a gasóleo 1 529 €
Caldeira a gás natural 1 111 €
Bomba de calor 600 €
Bomba de calor + fotovoltaico 420 €

Neste exemplo, a combinação de bomba de calor e fotovoltaico permitiria reduzir o custo variável anual da energia comprada em aproximadamente:

  • 1 380 € face ao aquecimento elétrico por resistência.
  • 1 109 € face à caldeira a gasóleo.
  • 691 € face à caldeira a gás natural.

A grande vantagem desta combinação não está apenas em produzir eletricidade, mas em conseguir utilizá-la de forma eficiente, reduzindo a dependência da energia comprada à rede.

É por isso que o dimensionamento conjunto do sistema fotovoltaico e do aquecimento pode ser especialmente interessante.

E no inverno, quando há menos sol? As baterias podem ajudar.

Os painéis fotovoltaicos continuam a produzir eletricidade durante o inverno, embora a produção seja geralmente inferior à dos meses de verão.

Existe ainda outro desafio: muitas famílias precisam de aquecer a casa ao final da tarde ou durante a noite, quando já não existe produção solar.

É aqui que os sistemas de armazenamento em baterias podem acrescentar valor.

Uma bateria permite armazenar parte da eletricidade solar excedente produzida durante o dia para a utilizar mais tarde, incluindo no funcionamento da bomba de calor.

As três tecnologias podem trabalhar em conjunto:

Solução O que faz pela sua casa
Painéis solares fotovoltaicos Produzem eletricidade renovável.
Bomba de calor Aproveita a eletricidade para produzir aquecimento com elevada eficiência.
Bateria Armazena excedentes solares para utilização posterior.

Uma bateria não aumenta a produção dos painéis nem elimina a necessidade de recorrer à rede elétrica quando a produção solar é insuficiente.

No entanto, quando existem excedentes solares e consumos relevantes fora das horas de sol, pode permitir um melhor aproveitamento da energia produzida.

O mais importante não é instalar todas as tecnologias. É escolher aquelas que realmente fazem sentido para a sua habitação.

E se não tiver aquecimento central? O ar condicionado também é uma solução.

Nem todas as habitações possuem radiadores, piso radiante ou uma instalação hidráulica preparada para receber uma bomba de calor ar-água.

Nesses casos, o ar condicionado reversível pode ser uma alternativa particularmente interessante.

Embora seja frequentemente associado ao arrefecimento, um sistema moderno de ar condicionado também utiliza tecnologia de bomba de calor.

Isto significa que pode aquecer no inverno e arrefecer no verão, utilizando o mesmo equipamento.

Além de permitir o controlo da temperatura em diferentes divisões, o ar condicionado pode aproveitar eletricidade produzida por painéis fotovoltaicos ou disponibilizada por uma bateria.

Bomba de calor ou ar condicionado: qual a melhor opção para a sua casa?

Bomba de calor ar-água Ar condicionado ar-ar
Pode alimentar piso radiante, ventiloconvectores e radiadores compatíveis. Aquece e arrefece diretamente o ar das divisões.
Pode integrar a produção de águas quentes sanitárias. Permite aquecimento no inverno e arrefecimento no verão.
Pode aproveitar uma instalação hidráulica existente, se for compatível. Pode ser uma solução adequada para casas sem aquecimento central.
Pode funcionar com eletricidade produzida por painéis solares. Também pode aproveitar energia solar fotovoltaica.

Não existe uma solução universalmente melhor.

Uma bomba de calor ar-água pode ser mais adequada a determinadas habitações com aquecimento central hidráulico. Já o ar condicionado pode apresentar vantagens quando não existe essa infraestrutura ou quando se pretende climatizar divisões específicas.

A escolha depende das necessidades da habitação, dos equipamentos existentes, das condições de instalação e do investimento previsto.

Quando compensa substituir o sistema de aquecimento?

Os exemplos apresentados mostram o potencial das diferentes tecnologias, mas cada habitação deve ser analisada individualmente.

Uma moradia com uma caldeira antiga, consumos elevados e necessidades frequentes de manutenção pode apresentar condições muito diferentes das de uma habitação recente, bem isolada e com consumos reduzidos.

Antes de investir, importa conhecer o consumo anual de energia, a eficiência do sistema atual e as necessidades reais de aquecimento.

Também devem ser considerados os emissores existentes, a instalação elétrica, o potencial fotovoltaico e as condições para eventual armazenamento em baterias.

Por fim, é necessário conhecer o investimento total e comparar os custos de funcionamento e manutenção ao longo dos anos.

O objetivo não deve ser instalar mais equipamentos. Deve ser encontrar a solução que proporcione o melhor equilíbrio entre conforto, eficiência energética e investimento.

E é precisamente aqui que o acompanhamento de um parceiro especializado faz a diferença.

Na Enbiente, encontra todas estas soluções num único parceiro.

Tornar uma habitação mais eficiente não deveria obrigar a procurar diferentes empresas para cada parte do projeto.

Uma empresa para instalar uma bomba de calor. Outra para os painéis solares. Outra para as baterias. E outra para garantir que tudo funciona em conjunto.

Na Enbiente, acreditamos numa abordagem diferente.

Somos A One Stop Shop para a Sustentabilidade.

Num único parceiro, encontra soluções de aquecimento, climatização, produção solar fotovoltaica e armazenamento de energia, acompanhadas por uma equipa com uma visão integrada das necessidades da sua habitação.

Desde a avaliação inicial ao dimensionamento e à instalação, ajudamos a identificar as tecnologias mais adequadas a cada projeto.

A nossa abordagem não passa por recomendar equipamentos isoladamente, mas por compreender como podem funcionar em conjunto, com eficiência, fiabilidade e um investimento ajustado.

Seja para substituir uma caldeira a gás ou gasóleo, instalar uma bomba de calor, climatizar a casa com ar condicionado ou aproveitar a energia solar, encontra na Enbiente as soluções e o acompanhamento técnico de que necessita.

Fale com a nossa equipa →


Nota sobre os cálculos apresentados

Os exemplos deste artigo são meramente ilustrativos.

Os preços assumidos são valores de simulação.

Os custos calculados representam apenas a componente variável de energia, numa base simplificada, sem impostos, encargos fixos, investimento inicial, manutenção ou valorização alternativa dos excedentes fotovoltaicos.

Fique a par.

Notícias do setor, novos apoios e incentivos, bem como todas as novidades da Enbiente, diretamente no seu email.